Registros da Virada Cultural

No geral a Virada Cultural foi muito boa, claro que como todo primeiro evento ainda tem que aperfeiçoar alguns detalhes. Mas o que importa é valorizar os nossos artistas e isso foi feito. Pode não ter contemplado todos os artistas, mas nem sempre consegue abranger todos.

Como sugestão para a próxima virada os eventos para crianças deveriam ser marcados em horário menos quente ou que tivesse uma cobertura.  Na praça da estação também precisa pensar em colocar algo pra sombra, talvez balões que podem ser de patrocinadores. Não tem como ficar tantas horas no sol sem ter onde amenizar o calor. Os eventos no horário mais quente ficam mais vazios. Também tentar agrupar grupos com mais renome com outros menos conhecidos. Vi eventos com muito pouco público. Será que precisa ter em tantos espaços assim? Fica aí uma boa questão. Vamos pensar juntos.

Consegui assistir ao show de Dóris Samba, Giramundo debaixo de sol muito quente na praça da Savassi, Quarteirão do Soul na praça da Liberdade e na praça da estação Bloco Bainas Ozadas, Bloco Rei, Bloco Moreré, Demônios da Garoa e Vesperata de Diamantina.

Do que vi um deles me chamou muita atenção e poderia ser feito em outros locais da cidade. A pintura feita no espaço que vai pra estação de metrô da praça da estação ficou lindo. As cores deram vida ao lugar que antes era sombrio e com sensação de descaso.

Veja as fotos de alguns eventos e vídeos abaixo.

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Respingos…de um sertão reinventado

“Respingos…” busca resgatar, valorizar e dar visibilidade à essa cultura artesanal do noroeste de Minas, registrando, fotograficamente, pontos e tramas, e áudio de estórias e canções de mulheres sertanejas que fizeram do artesanato a sua história. Histórias tais que reconto por meio do espetáculo “Respingos… de um sertão reinventado” criado a partir da pesquisa audiovisual e da pequena vivência que pude ter com essas mulheres e de figurinos feitos com tecidos produzidos por essas que vivem das mãos enriquecendo nossa cultura.

Fiandeiras são mulheres que transformam o algodão já cardado, sem caroços, em fio/linha para serem usados na tecelagem. Fiar, no noroeste de Minas Gerais, é um fazer tradicional passado de geração em geração, antigamente destinado à tecelagem manual que, posteriormente, daria origem ao vestuário, cama, mesa e banho. Tudo na casa era a base de algodão e feito pelas mulheres da família. Quando necessário, realizavam reuniões de fiandeiras para “dar uma de mão”, os chamados mutirões, para confeccionar o enxoval da noiva ou, admiravelmente, ajudar uma família necessitada. As famílias da redondeza eram convocadas, as mulheres iam cada uma com sua roda de fiar no ombro e os maridos com a inchada. Elas fiavam e para distrair cantavam músicas de improvisos, quase repentes, para alegrar o ambiente e desabafar com as demais. Eles iam para o roçado ajudar no que precisasse. A noite chegava e o sanfoneiro arrastava o forró madrugada a dentro comemorando as benfeitorias do dia. Hoje, as fiandeiras fiam e cantam com o intuito de resgatar e manter viva a tradição de suas famílias, sendo que este fazer também é uma oportunidade de incrementar a renda familiar, dando um pouco mais de pouca renda as famílias de pouca renda.

Filipeta