Respingos…de um sertão reinventado

“Respingos…” busca resgatar, valorizar e dar visibilidade à essa cultura artesanal do noroeste de Minas, registrando, fotograficamente, pontos e tramas, e áudio de estórias e canções de mulheres sertanejas que fizeram do artesanato a sua história. Histórias tais que reconto por meio do espetáculo “Respingos… de um sertão reinventado” criado a partir da pesquisa audiovisual e da pequena vivência que pude ter com essas mulheres e de figurinos feitos com tecidos produzidos por essas que vivem das mãos enriquecendo nossa cultura.

Fiandeiras são mulheres que transformam o algodão já cardado, sem caroços, em fio/linha para serem usados na tecelagem. Fiar, no noroeste de Minas Gerais, é um fazer tradicional passado de geração em geração, antigamente destinado à tecelagem manual que, posteriormente, daria origem ao vestuário, cama, mesa e banho. Tudo na casa era a base de algodão e feito pelas mulheres da família. Quando necessário, realizavam reuniões de fiandeiras para “dar uma de mão”, os chamados mutirões, para confeccionar o enxoval da noiva ou, admiravelmente, ajudar uma família necessitada. As famílias da redondeza eram convocadas, as mulheres iam cada uma com sua roda de fiar no ombro e os maridos com a inchada. Elas fiavam e para distrair cantavam músicas de improvisos, quase repentes, para alegrar o ambiente e desabafar com as demais. Eles iam para o roçado ajudar no que precisasse. A noite chegava e o sanfoneiro arrastava o forró madrugada a dentro comemorando as benfeitorias do dia. Hoje, as fiandeiras fiam e cantam com o intuito de resgatar e manter viva a tradição de suas famílias, sendo que este fazer também é uma oportunidade de incrementar a renda familiar, dando um pouco mais de pouca renda as famílias de pouca renda.

Filipeta